quinta-feira, 17 de junho de 2010

-Rival-

Acordei ao por-do-Sol, me sentia fraca e um pouco tonta, toquei o pescoço e senti o local onde Armand mordera, dois furinhos doloridos. Levantei-me e jogando o cabelo pro lado observei-os no espelho, dois pontos negros e vermelho em volta.

-Desculpe. Deve alimentar-se, logo se sentirá melhor. -Disse Armand que estava encostado a porta do banheiro, os cabelos molhados indicavam que acabara de sair do banho, porem já estava totalmente vestido. Aproximei-me dele e sem dizer nada o beijei. Quando o liberte de meu beijo ele respirou fundo e tornou a falar. -Eu realmente sinto muito, não queria machucá-la e não vai tornar a acontecer. -Neguei com a cabeça.
-Será que não entende? Você não me machucou. Fez o que eu queria.
-Dois furos no pescoço e uma dor de cabeça terrível?
-Não. Me deixou vê-lo como é, sem esconder-se, sem negar-se. Você é um vampiro, não vou negar isso e você também não pode negar. Meu sangue agora corre por você como prova de meu amor e como prova do seu quero que nenhum outro sangue humano o alimente sem ser o meu. -Disse firme. Ele pareceu desconsertado e indeciso, mas aceitou e beijou-me.

23.58 horário de Paris

Estava sentada sozinha do lado de fora da mansão observando o jardim escuro, o inverno se aproximava e o frio congelava até os ossos, a vista era parcialmente encoberta devido a neblina. Kara sentou-se a meu lado.

-Sei no que está pensando.
-Não sabia que alem de vampira também era telepata. -Disse ríspida.
-Não é necessário ser nenhum genio para saber que está pensando em se dará certo entre você e o Armand. Já aviso, no final um morre pelas mãos do outro...
-Agora também virou vidente?! -Interrompi-a levantando-me, sem eu sequer perceber ela me segurou pelo pescoço tirando meus pés do chão, seus olhos vermelhos me fitavam com fúria.
-Saiba que se for meu irmão a morrer eu mesma mandarei-a para debaixo da terra. -Ela me pôs no chão e virando-me de costas pra ela falou em meu ouvido. -O prazer de matar Armand é única e exclusivamente meu. -Disse. Virei-me rápido e por pouco não consigo esfaqueá-la com uma de minhas adagas. Ela riu.
-Não vou matá-lo. E também não deixarei que o faça. -Tentei aparentar uma calma que eu não tinha. Ela me atacou, certeira como uma cobra dando o bote acertou meu estômago mandando para o chão ao longe, porem não cai, apoiei uma das mãos no chão e lancei o corpo para trás ficando em posição de defesa.
-É uma tola se pensa que pode haver um final menos sangrento. Vocês dois são apenas mais um conto de Romeu e Julieta. -Ela veio de novo e desta vez consegui ver sua movimentação, me concentrei em sua postura e contei os passos.

1,2,3,4. DIREITA!

Desviei, mas ela conseguiu cortar minha bochecha, formando um fino corte, uma gota carmim escorreu por meu rosto e ela acompanhou-a cair. Consegui vê-la vindo, mas estava rápida demais para contar. Virei-me pra tentar correr, mas já era tarde, ela puxou-me pelos cabelos com força e prendeu meu corpo ao dela com o braço livre. Consegui cravar minha adaga em sua coxa, mas o aperto de Kara não se tornou mais fraco, pude sentir sua respiração quente em meu pescoço, no local que havia sido mordido por Armand, seu coração batia ritmado enquanto o meu se acelerava. Eu não conseguia pensar. Sabia que se ela começasse a sugar meu sangue não pararia, mas não conseguia fazer nada. O sangue quente que escorria da ferida que eu havia feito em sua perna manchava o chão e nossas vestes de tão profundo que tinha sido o corte, porem ela não parecia senti-lo.

-Solte-a. Imediatamente. -Disse uma voz masculina ao longe.
-Não se meta nisso. -Disse ela friamente.
-Não obrigue-me a dizer uma segunda vez. -Ouvi uma espada ser desembainhada. Kara respirou profundamente.
-Seu sangue está destinado a ser meu. -Disse ela e desapareceu na escuridão. Virei-me. E lá estava ele, mesmo de longe eu podia reconhecê-lo. A espada em punhos o olhar severo o porte físico, as madeixas loiras e os mesmos olhos verdes. Eu lembrava.
-Sanji-nii-san.

Sinto o silencio do vento, triste como um rouxinol que não pode cantar sua melodia.

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