terça-feira, 15 de junho de 2010

-Brincando com fogo-


-Nii-san. -Disse como uma criança.
-Desculpe? -Ele olhou-me em duvida.
-Desculpe! -Fiquei estatica.
-Lane? -Armand chamou-me, mas não consegui desviar os olhos do homem... Henri?! -Lane? Lane!
-Sim?! -Vire-me para Armand.
-O que está fazendo aqui?
-Eu estava te procurando.
-Ele quis dizer: O que esta fazendo escondida aqui?! -Disse Vladimir. Não me dei ao trabalho de responder e voltei a encarar o homem.
-Nós nos conhecemos? -Perguntei a ele.
-Não creio mademoiselle. Permita-me apresentar-me. Sou Henri Novaz. -Disse ele beijando minha mão. Continuei olhando-o sem conseguir lembrar de onde o conhecia.
-Lane Arashi. -Afastei-me indo na direção da estante, mesmo de costas percebi o olhar que Vladimir e Armand trocavam, Henri me aconpanhava com o olhar.

Observei mais uma vez a espada sobre a lareira.

Sentei-me ao lado de Kara no sofá. Todos menos ela me olharam. Kara riu sinicamente olhando o teto.
-Você não acha que deveria vestir algo mais adequado se pretende fazer parte desta reunião? -Disse ela, sinica como sempre. Olhei-me percebendo ainda estar de camisola, corei levemente.
-Com licença. -Disse e sai de lá.

Ao chegar no quarto fui direto ao banheiro onde vesti o sobretudo que havia deixado jogado por lá, olhei meu reflexo no espelho. Palida, cabelos loiros desgrenhados, olhos verdes brilhantes, porem sonolentos. Joguei agua no rosto e na nuca. A imagem de Henri não saia de minha cabeça.

Chegando lá o único que ainda se encontrava presente era Vladimir.
-Intrigante sua performance hoje. -Disse ele.
-Quem era aquele homem?
-Pensei que o tivesse ouvido apresentar-se. Seu nome é Henri Novaz, veio de uma família nobre do Sul da França, chegou a capital há alguns anos e desde então sua fortuna e poder só tem feito aumentar, mas seu interesse em controlar Paris é quase nulo, por isso não deve se preocupar com ele. Caso tenha esquecido sua missão...
-Falando nisso. Eu me demito. -Disse dando-lhe as costas. Ele riu.
-Não espera realmente que seja tão fácil abandonar a missão para que foi contratada não é? Caso não se lembre todos os gastos foram pagos por minha família e uma parte de seu pagamento já lhe foi entregue, sem falar que está ilegalmente na França, somente sobre a proteção de minha família, o que quer dizer que se faltar com o contrato será morta e antes que pense que Armand pode ajudá-la em algo lembre-se das clausulas do contrato que você assinou sem ler.
-Não acredito que está me subornando! -Disse quase partindo para o ataque, só me detive, pois ouvi Kara e Armand se aproximando no corredor.
-Não ouse faltar com sua palavra Lane. -Disse ele segurando em meu braço.
-Ou? -Disse mantendo meus olhos nele.
-Estamos interrompendo algo? -Pergunta Kara da porta. Ele baixou os olhos e me soltou.
-Não. -Disse. Ele riu e eu sai de lá mais uma vez.

Cheguei a janela a tempo de ver Henri entrando em um carro preto e sumir na noite.

-Por que esse interesse em Henri? -Pergunta Armand atrás de mim. Dei de ombros.
-Ele apenas me lembra alguém...
-Quem? -Disse abraçando-me pela cintura.
-Não sei, mas já o vi antes. -Ele começou a beijar meu pescoço.
-Esqueça-se dele. -Disse em um sussurro entre os beijos.

Suas mãos percorriam meu corpo lentamente, seguindo o ritmo de seus lábios, virei-me abraçando-o para que nossos lábios se encontrassem. Ele me levantou nos braços e fomos para o quarto, tirei seu paletó e comecei a desabotoar sua blusa, meu sobretudo ficara perdido em algum outro lugar. Der repente ele se afastou rápido ficando de costas pra mim.

-O que houve? -Perguntei.
-Eu... Vou acabar machucando-a.
-Não vai me machucar. -Levantei-me e lentamente fui até ele.
-Não! -Disse fazendo-me parar.
-Armand, eu confio em você, sei que não vai me machucar.
-Não entende. -Disse ele com um riso frenético negando com a cabeça encostado na parede.
-Entendo sim. Acha que pode perder o controle ficando perto de mim, acha que pode me machucar sem querer, mas não sabe o quanto sou forte, até mesmo para um vampiro. -Ri. -Deixe-me ficar com você. -Tentei toca-lo, mas ele se encolheu.
-Não se aproxime mais. Lane, eu não sei se consigo me controlar. É melhor sair.
-Não! Eu sei que não vai me machucar! Se quer fazer isso, se precisa disso, tome o meu sangue! É minha escolha! Eu não vou deixa-lo.

Virei-o e o puxei pra mim com força, abraçando-o. Ele inverteu as posições, me prendeu a parede mostrando os dentes, não demonstrei medo. Ele parecia cansado pela batalha interna que estava travando por mim, os olhos vermelhos fixos nos meus, as presas pontiagudas, as mãos fortes em meus ombros, o cabelo liso caindo nos olhos, os músculos contraídos por baixo da camisa meio aberta. Então disse algo que eu nunca pensei em dizer, algo que eu ainda não sabia como o afetaria:

-Morda-me. Se é isso o que quer. Sou sua. -Deixei meu pescoço a mostra e alguns segundos depois senti seus dentes pontiagudos perfurando uma de minhas veias, a sensação do sangue saindo de meu corpo era horrível, um arrepio me corria pela espinha. Aos poucos suas mão relaxaram em meus ombros e seguraram-me pela cintura enquanto eu o abraçava pelos ombros. Sorri. Agora estávamos unidos. Eu o conhecia totalmente. Meu Armand.

Quero beijá-lo, mas seus lábios contem o mais doce veneno.

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