quarta-feira, 12 de maio de 2010

-Lua-


Deveria ser mais ou menos duas da tarde quando fui acordada.

-Está andando tanto com os vampiros que já aderiu a seus hábitos?
-O que você quer Vladimir? -Perguntei sem levantar-me.
-Hoje ofereceremos uma festa em homenagem a Kara. Gostaria de contar com sua presença em tempo integral no salão.
-Por que os Teodore fariam uma festa para um Lafayete? -Perguntei meio adormecida.
-Não precisa entender o motivo. é apenas aparecer e estar deslumbrante. -Disse ele passando a mão sobre meus cabelos, mexi-me com a intenção de fazê-lo se afastar. Deu certo. Ele bufou. -Vai estar lá?
-Sim!
-Ótimo! -Disse ele de mau humor e bateu a porta ao sair.
-Ótimo! -Imitei-o e ri de mim mesma. Divertindo-me como uma tola.

22:45 Hora de France

Observei o salão do alto da escada, as cores escuras dominavam o local. Procurei por instinto avistar Armand, mas não o encontrei.

-Os Lafayete ainda não chegaram. -Disse Vladimir atrás de mim.
-E não acho que virão. Kara não é bem vista no clã. -Disse.
-É? Dê uma olhada em quem acabou de chegar. -Disse ele apontando para a porta principal. Todos no salão diminuíram o volume das conversas e deram espaço observando os recem chegados.

Passando por entre a multidão estavam Armand de braços dados com Kara, sendo seguido por Bartolomeu, Greta e Rafael. Observei-os cruzarem o salão lentamente, poderia ficar ali parada para sempre se Vladimir não me desperta-se.

-Venha, Lane. -Disse ele me estendendo a mão do pé da escada, desci e aceitei sua mão.

Passamos pela multidão e nos encontramos com os Lafayete no centro do saguão. Armand olhou-me e eu retribui seu olhar.

-Você deve ser Kara. é um imenso prazer conhecê-la mademoiselle. -Disse Vladimir segurando a mão de Kara e beijando-a gentilmente.
-O prazer é inteiramente meu, monsieur Teodore. -Respondeu ela suave. Estranhei.
-Chame-me Vladimir. -Ela sorriu. -Prazer vê-los, Armand, Bartolomeu, Rafael, Greta. -Eles não se deram ao trabalho de responder, e nem ao menos sei se Armand escutou, nossos olhos continuavam pregados um ao outro.
-Será que me permite roubar sua dama para uma valsa, Vladimir? -Pergunta Armand.
-Só se me permitir a mesma honra. -Respondeu Vladimir sorrindo ao entregar minha mão para Armand recebendo a de Kara. Partimos para direções opostas do salão.

-Lane... -Disse ele suave, levemente constrangido enquanto bailávamos.
-Sim?
-Você... Gostaria de sair um pouco daqui? Digo, para conversarmos melhor. -Olhei para Vladimir de soslaio, e ao constatar que ele estava entretido demais com Kara para perceber minha ausência aceitei o pedido de Armand e lentamente valsamos até a porta que dava no jardim.

-Então, o que queria falar? -Disse tocando um galho verde, pouco afastada de Armand.
-Não sei por onde começar.
-Pelo principio é sempre uma otima escolha. -Disse olhando-o e sorrindo. Ele sorriu e guiou-me até um dos bancos.
-Que tal você me contar? -Pergunta ele.
-Contar o que? -Digo olhando as estrelas.
-Sua historia. Sei que não é uma Teodore e realmente gostaria de saber o que faz aqui. -fiquei sem fala. Apenas a observa-lo por alguns segundos. Não sabia o que dizer. Como dizer.
-É uma historia longa. -Disse incapaz de olhá-lo nos olhos. Ele levantou meu queixo fazendo-me voltar a encara-lo.
-Temos toda a noite. -Disse gentilmente. Sorri.

Eu realmente queria contar-lhe tudo sem nada esconder. Queria acabar com os segredos, mas não sabia se era capaz. Olhei a Lua buscando uma solução e depois de um suspiro comecei a falar.

"Quando as estrelas caírem do céu em uma chuva de prata saiba que elas são as lágrimas que
derramo por todo o amor que sou incapaz de lhe demonstrar"

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