quinta-feira, 13 de maio de 2010

-Lullaby-

Andei a noite toda pelos parques de Paris, tentando encontrar uma solução. Já havia pensado em dizer a ele o real motivo de eu estar em Paris, pensei em tentar fugir, quem sabe para a América, havia pensado em desafiar Vladimir e aguentar as consequencias, tantas coisas passaram pela minha mente.

Andava lentamente pelo Champ de Mars quando comecei a ouvir uma melodia suave, aproximei-me do quarteto que tocava fronte a Torre Eiffel, a melodia suave enchia o local e me deixei viajar no som doce que cantava amor e paz, coisas tão distantes nesta Era...

"Hush my love now don't you cry
Everything will be all right
Close your eyes and drift in dream
Rest in peaceful sleep
If there's one thing I hope I showed you
If there's one thing I hope I showed you
Hope I showed you
Just give love to all
Just give love to all
Just give love to all"
 
Sorri enquanto os músicos continuavam a encher Paris de uma paz que nunca senti antes. Depositei um pouco de dinheiro no pote dos homens e afastei-me devagar. Sem perceber meus pés me levaram a mansão Lafayete, e quando dei por mim Armand estava parado a minha frente na soleira da porta, seu terno parecia pela primeira vez desalinhado e o Sol em seu rosto tornava o azul de seus olhos mais aparente.
 
Parei incapaz de dizer ou fazer qualquer coisa, apenas olhei-o, tentei falas, mas minha boca estava seca. Ele passou pela soleira da porta a passos firmes e abraçou-me.
 
-Está tudo bem. -Disse ele. Chorei como uma criança, sem motivo aparente, apenas agarrei-me a sua camisa e deixei que minhas lágrimas jorrassem.
-Não sei o que fazer. Armand, não quero voltar lá. -Choraminguei ainda sem saber o que estava fazendo.
-Não tem que voltar. Fique. -Disse ele acalmando-me. -Durma, Lane. Quando acordar estará melhor. -Não estou com sono, tentei dizer, mas então percebi que na verdade estava muito cansada, meu corpo começou a enfraquecer e antes que percebe-se havia adormecido. E nos sonhos ouvia a voz de minha mãe a cantar a musica que ouvi mais cedo, está foi minha canção de ninar.
 
Acordei ao pôr do Sol em um quarto com paredes cinza-escuro, as cortinas eram negras de um tecido fino e cobriam parcialmente a porta da sacada, a cama king size era coberta por um edredom negro e lençóis de seda no mesmo tom, as capas dos múltiplos travesseiros variavam entre branco, negro e vermelho. O quarto possuía como moveis dois criados mudos, com um abajur sobre cada um deles, uma comoda, um espelho sobre esta, um armário, um sofá ao pé da cama e uma cadeira de balanço perto da sacada, onde sobre ela repousava um hobie negro com um bilhete. Levantei-me e peguei o pequeno cartão.
 
"Lane, no guarda-roupas tem algumas roupas que pode escolher a vontade, no banheiro encontrará as coisas para seu uso pessoal, espero que aprecie o quarto, o meu fica a sua direita. Quando estiver pronta a espero na sala.
Armand."
 
Sorri e fui banhar-me para me juntar a ele. Os azulejos do banheiro variavam entre o negro e o branco, as demais coisas exceto a banheira, os sabonetes e sais de banho eram negras, toquei as toalhas de tecido fino e depois sentei-me na borda da banheira tocando com a ponta dos dedos a água quente. Sorri e depois de trancar a porta comecei a despir-me para o banho.
 
Entrei na água lentamente, deixando que meus músculos relaxassem ao sentar-me, as bolhas de espuma formavam-se sobre mim. Mergulhei lentamente e fiquei submersa o máximo de tempo que consegui, depois levante, tomei uma ducha quente para tirar o sabão e sequei-me, sai do banheiro vestida com o roupão negro pendurado no cabideiro e escolhi um vestido negro simples no armário. Prendi meu cabelo no alto, deixando algumas mexas penderem livres e após aprovar-me no espelho desci até a sala principal, onde o mordomo me indicou a direção para a sala que Armand havia mencionado.
 
Lá estava ele, sentado sobre uma cadeira alta feita de ouro e seda preta, Parecia um príncipe em seu trono, com a luz fraca do por do Sol entrava por uma janela atrás dele e uma taça de vinho na mão. Sorriu ao me ver e parada no batente, sorri ainda incapaz de falar.
 
"Ame sua família, preze seus amigos e respeite seus inimigos, pois um dia toda sua família partirá, seus amigos lhe trairão e seus inimigos tentaram derrota-lo."

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