sexta-feira, 28 de maio de 2010

-sonhos ruins-

Eu estava vestindo uma camisola fina coberta apenas por um sobretudo negro, andava descalça pela rua escura e deserta, a névoa me dava a sensação incomoda de estar sendo observada. Eu reconhecia as casas a minha volta, mas não consegui lembrar do onde. Andei mais depressa e conforme eu andava mais densa ficava a névoa. Eu já estava correndo e não podia mais enxergar a rua, algo puxava a barra de minhas vestes rasgando-as, alguma coisa forte agarrou-se em mim.

-Venha Lane. Venha. -Sussurrou em meu ouvido. Tirei o sobretudo rápido virando-me, mas a coisa se afastou rápido, como um vulto na névoa. Agora, apenas de camisola, andei de costas observado o meu redor. Meu corpo aquecia-se, parecia que eu estava muito perto de algo quente e a voz melodiosa do vulto continuava sussurrando. -Venha. Venha Lane.
-Vem, Lane. -Disse a voz doce de uma criança me fazendo virar. Eles estavam lá. Meus pais, meu irmão e minha irmã. Estavam na porta da casa em chamas, o fogo os estava consumindo como em uma fotografia. Myu estendia sua mão pequenina chamando-me. -Vem, Lane.
-Myu. -Disse dando um passo a frente.
-Venha, filha. Não tenha medo. Estamos aqui. -Disse meu pai.
-Papai. Mamãe. Estou indo. -Disse debilmente, aproximando-me.
-Venha, Lane. Venha.-Disse Sanji. Estiquei minha mão tentando tocá-los, mas nessa hora o fogo os consumiu por completo e algo jogou-me para trás, não consegui alcançá-los.
-Você nos abandonou! -Gritou Myu.
-Lane! Lane! -Gritavam mil vozes  no escuro. Tampei os ouvido e tentei correr.
-Não! Não! -Tentava dizer mais alto que as vozes. Parei. Silencio total.
-Venha Lane, venha. -Disse o sussurro.
-AHHHHHHHHHHHHHHHHHH. -Acordei gritando e encharcada de suor, abracei os joelhos escondendo o rosto.
-Lane? Lane posso entrar? Está tudo bem? -Pergunta Armand batendo a porta.
-Entre. Estou bem. Foi só um pesadelo. -Disse, quando ele abriu a porta.
-Tem certeza?-Perguntou entrando e fechando a porta.
-Desculpe acordá-lo. -Disse envergonhada puxando a coberta. Ele sorriu.
-Eu não durmo.
-Ah... -Agora eu realmente me sinto uma idiota.
-Quer me contar com o que estava sonhando?
-Minha família.
-Olha, vou ficar com você até adormecer. Tudo bem? -Fiz negativo com a cabeça.
-Não quero voltar a dormir. -Disse beijando-o.
-Lane... -Ele tentou se levantar.
-Não Armand. -Disse puxando-o de volta. Bejamo-nos.

"Com uma palavra a dor, com um toque o pecado, com um beijo o amor"

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